Encruzilhada para os investigados
Setembro 7th, 2008 Publicado em PolíticaDa Página 10 de sábado
A autorização dada pelo ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, para que sejam investigados os deputados Eliseu Padilha (PMDB) e José Otávio Germano (PP) abre um novo capÃtulo na história polÃtica do Rio Grande do Sul. Autorização para investigar parlamentares com foro privilegiado não é sinônimo de condenação, mas atrapalha os projetos eleitorais de quem está no olho do furacão.
Por conta da Operação Rodin, que arrastou o PP para o lamaçal, José Otávio foi obrigado a arquivar seu projeto de concorrer a prefeito de Porto Alegre pouco depois de ter transferido o tÃtulo de Cachoeira do Sul para a Capital. Padilha já havia anunciado que este seria seu último mandato de deputado, planeja concorrer ao Senado ou ao governo do Estado em 2010, mas seu futuro ficará na dependência da evolução da Operação Solidária. Nos dois casos a lentidão da Justiça não favorece: as candidaturas de 2010 têm de estar definidas em menos de um ano, até o inÃcio do segundo semestre de 2009.
A falta de informações detalhadas sobre o conteúdo das mais de 3 mil páginas do inquérito, organizado em 12 volumes, deixa os deputados e os outros investigados – Alceu Moreira, Marco Alba, Francisco Fraga, Marcelo Machado, Renan Presser e Marco Antônio Camino – em uma encruzilhada. Todos estão liberados por Marco Aurélio para se defender publicamente, mas para isso terão de divulgar os indÃcios encontrados contra eles pelos investigadores. Se optarem pelo silêncio ou pelos subterfúgios, correm o risco de ver as denúncias divulgadas por terceiros, já que se ampliou o leque dos que tiveram autorizado o acesso aos autos. Se são consistentes ou não, a Justiça dirá. O ministro Marco Aurélio Mello entendeu que eram relevantes para justificar o prosseguimento das investigações.
Fone:Blogue da Rosane de Oliveira
